Vivemos em uma era na qual o conhecimento transcende fronteiras físicas e passa a ser o ativo intangível de maior valor para empresas, governos e indivíduos.
Este artigo explora de forma detalhada como o investimento em ciência, tecnologia e educação gera desenvolvimento econômico e social, comparando cenários nacionais e internacionais, apresentando dados, tendências e desafios.
O Conhecimento como Ativo Intangível
O conhecimento deixa de ser mera abstração e torna-se um motor de competitividade. As economias mais desenvolvidas destinam parte expressiva do PIB a ativos intangíveis como P&D, tecnologia e educação.
Ao reconhecer o conhecimento como fonte de inovação e sustentabilidade, governos e empresas asseguram uma vantagem estratégica definitiva no mercado global.
O Retorno do Investimento em Conhecimento
Estudos internacionais mostram que países que investem consistentemente em ciência e tecnologia apresentam:
- Maiores taxas de crescimento econômico;
- Capacidade de inovação e adaptação a mudanças de mercado;
- Indicadores de produtividade e empregabilidade elevados.
O investimento em conhecimento reflete-se diretamente em softwares, bancos de dados, propriedade intelectual e pesquisa industrial.
Esses ativos geram valor contínuo, fomentam a criação de novas empresas e mantêm cadeias produtivas competitivas.
Panorama Brasileiro de Investimento em Conhecimento
No Brasil, apesar de avanços pontuais, a alocação em ciência e tecnologia varia entre 1% e 1,26% do PIB, abaixo da média mundial de 1,79% e longe dos 2,5% da Suécia.
Empresas privadas brasileiras investem apenas 0,5% do PIB em P&D, enquanto, em nações desenvolvidas, esse índice ultrapassa os 2%.
Números Recentes e Desafios Históricos
Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, o FNDCT contratou R$ 26,3 bilhões para pesquisa, mais que o total de 2020 a 2022 (R$ 10,5 bilhões).
Em 2025, o governo federal destinou R$ 561 milhões para pesquisas em saúde, valor cinco vezes superior à média anual de R$ 110 milhões entre 2019 e 2022.
No Rio Grande do Sul, o orçamento para inovação chegou a R$ 360 milhões em 2025, e o Espírito Santo prevê R$ 250 milhões até o fim deste ano.
No entanto, o pico de investimento no “Orçamento do Conhecimento” foi em 2014, com R$ 38 bilhões. Desde então, houve perda acumulada de R$ 117 bilhões, queda de 7,2% na produção científica entre 2022 e 2023 e retração de 8,2% em P&D em 2020.
Cenário Internacional e Benchmarks
Países líderes em inovação aplicam entre 2% e 4% do PIB em ciência e tecnologia. União Europeia e Estados Unidos priorizam ativos intangíveis como alavancas de crescimento.
Portugal prevê aumento de 30% em investimentos científicos para 2025-2029, alcançando 685 milhões de euros, reforçando a parceria entre universidades e indústria.
Investimento em Inteligência Artificial e Digitalização
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) projeta R$ 23 bilhões até 2028, abordando infraestrutura, formação, IA em serviços públicos, inovação empresarial e regulação.
Iniciativas como o supercomputador Santos Dumont impulsionam pesquisas avançadas em IA, acelerando a capacitação de talentos e fortalecendo a base tecnológica nacional.
O Valor dos Dados como Conhecimento
Dados digitais emergem como principais drivers de competitividade para 2025. No setor de capitais, empresas planejam investir US$ 244 bilhões globalmente entre 2025 e 2026 em tecnologia.
Transformar dados em conhecimento estruturado amplia a eficiência de processos, reduz custos e cria novos modelos de negócios baseados em analytics e machine learning.
Reflexos Diretos para a População e o Mercado
Pesquisa mostra que 63% dos brasileiros não investem por falta de educação financeira. Capacitação e formação continuada são essenciais para mudar esse cenário.
- Inclusão de mulheres em ciência: mais de 55% dos projetos em saúde são liderados por mulheres em 2024;
- Políticas públicas para equidade, incentivando diversidade em laboratórios e startups;
- Parcerias entre universidades e empresas para programas de estágio e incubação.
Essas ações ampliam o número de investidores, pesquisadores e empreendedores, fortalecendo o ecossistema de inovação.
Conclusão: Superando Desafios e Mudando Paradigmas
Para que o Brasil não perca a corrida global do conhecimento, é imperativo recompor e ampliar investimentos em P&D, educação e tecnologia.
O conhecimento permanece como o ativo financeiro de maior valor diante da volatilidade dos mercados tradicionais.
A construção de um futuro sustentável e competitivo requer investimentos contínuos e estruturados em todos os níveis: governo, setor privado e sociedade civil.
Somente assim poderemos garantir qualidade de vida, soberania tecnológica e crescimento econômico duradouro.